Thursday, April 13, 2006

GAVIÃO-REAL/HARPIA NO SUL DO BRASIL: MITO OU REALIDADE?

Quando contei ter observado um casal de Gaviões-reais em Caldas da Imperatriz em outubro de 1989, a descrença foi geral. Colegas observadores de aves na época não queriam acreditar.

O fato foi que eu, realmente observei um casal de Gaviões-reais acima da Pousada da Mata na propriedade do Hotel Plaza da Imperatriz. Tudo aconteceu de uma forma engraçada. Acordara cedo e sai para o mirante no alto da serrinha do Rio Plaza. Chegando no mirante, ouvi uma vocalização forte e alta. Olhei para o céu e, lá estava aquele gavião enorme circulando sobre a minha cabeça. Em seguida outro se juntou ao primeiro que estava realizando vôos pendulares sobre a mata. Ficaram assim por algum tempo, creio que uns 10 minutos e desapareceram.

Era outubro e não fora apenas um individuo, mas um casal e eram adultos, vocalizando e exibindo vôos de exibição associados à corte nupcial. Normalmente um casal em tais atividades sugere que estejam construindo ninho nas proximidades. Condições de habitat existiam e continuam existindo nas encostas íngremes, cobertas por matas primarias das encostas do Pico do Tabuleiro, na serra de mesmo nome e ainda hoje em dia protegido como uma Unidade de Conservação estadual – Parque estadual da Serra do Tabuleiro (vejam este ensaio: http://mataatlanticasc.blogspot.com/2006/01/serra-do-tabuleiro-erosao-de-um-parque.html).

Nunca mais avistei gaviões-reais na região. Desapareceram? Não diria isso, diria que ainda não buscamos o suficiente para afirmar isso. Podemos afirmar que condições de habitat ainda persistem na região.


Registros de Harpia/gavião real em Santa Catarina


A presença do gavião-real- falso (Morphnus guianensis) recentemente avistado em Grão Pará atesta para a existência de habitats para gaviões de grande porte na região da Serra do Tabuleiro e Serra Geral.

Temos um relato de um avistamento de um Gavião Real em Timbó do Sul, próximo a Serra do Rio do Rastro, no Município de Bom Jardim da Serra. O relato foi feito por um pilto de asa delta que foi escoltado por um gavião-real na terma onde estava realizando manobras. Isto aconteceu em 2002. Verdade? Grandes chances de ser mesmo verdadeiro este relato pela historia do Gavião-real na serra catarinense.

A região compreendida entre a Argentina e o Atlântico ainda apresenta algumas regiões com alta probabilidade de ainda termos pares de gaviões-reais em atividade. Existe um possível intercambio de indivíduos entre a costa do Atlântico e Missiones, na Argentina.


A- Missiones e B - corredor da costa Atlantica - região importante para o gavião real de Gaviões de Penacho

A região de Serra Geral e Serra do Tabuleiro é uma das mais importantes em termos de grande concentração de espécies raras de aves de rapina. Cerca de 28 especies de aves de rapina diurnas, excluindo os urubus habitam as encostas destas serras. A conservação desta região e prioritária.

Outra região prioritária para a conservação do Gavião-real e demais gaviões de penacho está no litoral do Paraná e norte de Santa Catarina em Garuva e Guaraquecaba.

Regiāo prioritaria de conservação para o Gavião real no norte de Santa Catarina, borda com o Parana.



Região de Guaraqueçaba no Parana e sua imensa importancia a conservacao da Floresta Altancia Sul. Sinalizando o registro recente de um Gaviao real planando sobre a baia feito pelo Pedro Scherer Neto em 2003.



Missiones é uma das mais importantes regiões florestais no cone sul e abriga muitos casais de Gaviões reais. Mais uma região prioritaria para a conservação.

Pela area de cobertura florestal Missiones, na Argentina e no Parque Nacional de Iguaçu, deveriam ser consideradas de grande prioridade de conservação.

Com base a estas informações podemos dizer que o Gavião real ainda deve existir nas encostas das serras Geral, Tabuleiro e do Mar, assim como no interior das florestas de Missiones. O que não podemos fazer e declarar uma espécie extinta sem buscas intensivas. Nossos dados sao precarios, mas indicam claramente que ainda existem casais do Gaviao real entre nos. nossa obrigação é lutar pela sua conservaçāo e permitir que nossos filhos tenham a felicidade de um dia observar este representante do mundo natural que a cada dia perde um grupo muito grande de especies para o desenvolvimento descontrolado e ganancioso do homem.

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